O Mercado do Futuro em Sobradinho: Iluminado pela Fé e movido a gambiarra


Sobradinho conseguiu a proeza de inventar uma nova categoria de obra pública: o Mercado Municipal Sustentável LUZ NATURAL & VIBES.

No último sábado (12), a Prefeitura promoveu uma festa digna de Hollywood para inaugurar o Mercado Virgulino Francisco de Amorim. Teve fita vermelha, discurso emocionado, presença de autoridades estaduais e aquele clássico tapinha nas costas do prefeito Cleivynho Sampaio. Afinal, não é todo dia que se investe quase R$ 4,5 milhões (com direito a R$ 434 mil de recursos próprios) para entregar um espaço "totalmente requalificado".

O único pequeno detalhe, um mero pormenor burocrático que a gestão esqueceu de checar antes de cortar a fita, é que o mercado foi entregue sem energia elétrica.

Isso mesmo. O comerciante de Sobradinho agora tem um box novinho em folha, acessível, moderno... mas precisa vender carne e queijo na base do "vende logo antes que estrague". Quer ligar a geladeira? Não dá. O freezer? Esquece. O liquidificador da lanchonete? Só se for no pedal. Aparentemente, a promessa de "renovação na iluminação" descrita no projeto se referia à luz do sol durante o dia e à iluminação do luar de noite.

R$ 4,5 milhões compram muita coisa: estrutura de ponta, acessibilidade, piso brilhando, mas não pagaram a conta da luz ou a tomada no prédio. É a típica eficiência do marketing político: o palco estava iluminado para a foto dos políticos, mas o feirante que acenda uma vela para conseguir trabalhar na segunda-feira.

No fim das contas, a Prefeitura de Sobradinho entregou um verdadeiro monumento à contradição. O mercado não foi feito para funcionar, foi feito para ser filmado. Resta saber se na próxima eleição o povo vai votar no escuro ou se a lâmpada da coerência finalmente vai acender.

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