Fanfarra Paulo VI fora do desfile de 7 de Setembro, por falta de apoio da prefeitura de Juazeiro



A decisão da Fanfarra de Inclusão Musical Paulo VI de não participar do desfile cívico de 7 de Setembro em Juazeiro merece mais do que uma simples nota de esclarecimento. Ela expõe uma questão que há anos precisa ser discutida com seriedade: qual é o espaço destinado pela gestão pública à cultura, à inclusão e aos projetos que carregam o nome e a história da cidade?

Segundo o comunicado divulgado pela Associação de Inclusão Musical Paulo VI, a ausência neste ano está relacionada a um processo de reestruturação e à falta de apoio necessário da atual gestão municipal. A entidade afirma que, diante desse cenário, decidiu se transformar em uma associação cultural independente, buscando autonomia para que a continuidade do trabalho não fique condicionada às mudanças políticas.

E aqui está o ponto que mais chama atenção.

A Fanfarra Paulo VI não é um projeto que surgiu ontem. A própria instituição destaca sua trajetória e as mais de 100 etapas de campeonatos em que conquistou vitórias, além de se apresentar como Patrimônio Cultural de Juazeiro. Trata-se de um trabalho que envolve música, disciplina, inclusão, formação e representação do município.

Por isso, é legítimo perguntar: como um grupo com esse histórico chega ao ponto de decidir não participar do principal desfile cívico da cidade por falta de apoio?

A situação também levanta outra reflexão. Projetos culturais não deveriam ser valorizados apenas quando há fotografia, palanque ou evento oficial. O incentivo precisa existir durante todo o ano, garantindo condições para ensaios, instrumentos, uniformes, transporte e manutenção das atividades.

A Banda Marcial da Escola Paulo VI, conforme esclarecido na nota, participará normalmente do desfile. Já a histórica Fanfarra de Inclusão ficará de fora. A diferença entre as duas situações torna ainda mais importante que o poder público esclareça quais apoios são oferecidos às iniciativas culturais e quais critérios são utilizados para a distribuição desses recursos.

A transformação da Fanfarra em uma associação independente pode representar um novo caminho. Mas também deveria servir como alerta para a gestão municipal: quando uma instituição cultural precisa buscar independência para garantir a própria sobrevivência, alguma coisa precisa ser discutida.

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A cultura de Juazeiro não pode depender de quem está no poder. Patrimônio cultural não tem partido, não tem eleição e não deveria ser lembrado apenas em época de desfile.

A Prefeitura de Juazeiro precisa se posicionar sobre o assunto e explicar à população qual foi o apoio oferecido à Fanfarra Paulo VI e por que esse apoio não foi suficiente para garantir sua participação no 7 de Setembro de 2026.

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