Uma família de Sobradinho, no norte da Bahia, enfrenta uma dor que nenhuma palavra consegue dimensionar após a morte de dois bebês durante um atendimento no Hospital Municipal. O caso, relatado por familiares, precisa ser tratado com seriedade e, principalmente, com transparência.
Segundo o relato recebido, a gestante teria procurado a unidade em momentos anteriores da gravidez apresentando sangramento, dores e perda do tampão mucoso. Ainda de acordo com a família, ela teria recebido atendimento e sido liberada. No dia do parto, chegou ao hospital já apresentando contrações.
O relato também aponta que exames realizados anteriormente teriam identificado que um dos bebês estava em posição pélvica e apresentava baixo peso. Apesar de todo o acompanhamento, os dois recém-nascidos morreram: um teria nascido sem vida, enquanto o outro permaneceu vivo por cerca de uma hora antes de falecer.
Diante de uma tragédia dessa dimensão, não basta lamentar. É preciso explicar.
A população tem o direito de saber se todos os procedimentos necessários foram adotados, se os protocolos de atendimento à gestante foram cumpridos e se havia sinais que poderiam ter exigido uma conduta diferente nas consultas anteriores.
Enquanto uma família enfrenta o luto, também causa indignação ver a agenda política e institucional do município sendo divulgada nas redes sociais como motivo de comemoração. A presença de autoridades e articulações políticas pode fazer parte da rotina de qualquer gestor, mas nenhuma agenda política deveria se sobrepor à necessidade de prestar esclarecimentos quando a população enfrenta uma situação tão grave.
É importante deixar claro: não cabe a um veículo de imprensa apontar culpados sem investigação. O que cabe é cobrar respostas e exigir que os fatos sejam apurados de maneira técnica, transparente e independente.
Houve falha no atendimento?
Os protocolos foram cumpridos?
A gestante recebeu acompanhamento adequado diante dos sintomas apresentados?
As informações dos exames anteriores foram consideradas na tomada de decisões?
São perguntas que precisam ser respondidas pelas autoridades responsáveis.
A perda de dois bebês não pode terminar apenas em uma nota de pesar. A família merece respeito, a sociedade merece transparência e o sistema de saúde precisa ser capaz de explicar o que aconteceu.
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