Papo Diário: A saúde do vestir-se bem

 Por Emaísa Lima

papodiario30@gmail.com¹

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Você sabia que vestir-se bem é muito mais do que escolher uma roupa bonita diante do espelho? Sim? Não? Talvez? Ou você é daquelas pessoas que não dão tanta importância ao que vestem? Independentemente da resposta, nobre leitor, há algo que merece a nossa atenção: a maneira como nos vestimos também comunica.

Antes mesmo de pronunciarmos uma palavra, nossa imagem pode transmitir mensagens sobre quem somos, como nos percebemos e até sobre aquilo que desejamos expressar ao mundo. É descobrir, entre cores, formas, tecidos e estilos, uma maneira de expressar quem somos, como nos sentimos e o que desejamos comunicar. A roupa acompanha diferentes momentos da vida, atravessa mudanças, revela preferências e pode até transformar a relação que estabelecemos com nossa própria imagem.

Nesse universo em que moda, identidade e comportamento se encontram, o vestir ganha novos significados e passa a ser também uma experiência de autoconhecimento e cuidado. Para falar mais sobre esse conteúdo, que nós, do Papo Diário, convidamos a Consultora de Estilo e Imagem e Gestora Estratégica de Pessoas, Gabriela Britto. E se você quiser entrar em contato, com a nossa entrevistada, basta apenas: de forma presencial, em Salvador (BA); e pelas redes sociais: @estilogabibritto (Instagram) e (87) 98172-0424 (Whatsapp).

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[PAPO DIÁRIO: PD] Para quem ainda associa Consultoria de  Imagem  apenas  à  escolha  de  roupas, afinal,  o  que,  literalmente,  faz  um  Consultor  de  Imagem  e  como  esse  profissional  pode contribuir  para  o  desenvolvimento  pessoal,  a  comunicação  e  o  posicionamento profissional  de uma pessoa?

[GABRIELA BRITTO: GB] Existe um mal-entendido gostoso por trás dessa pergunta, rsrs...A ideia de que consultoria de imagem serve para ensinar alguém a escolher roupa, não é mesmo?

A roupa é só a ponta visível de uma questão bem maior e mais profunda. Um processo bem vivenciado de consultoria ajuda a pessoa a entender como ela se percebe, como quer se expressar e quais códigos visuais realmente fazem sentido pra vida seu caminho (sempre em construção). Isso passa por comportamento, contexto, rotina, valores, e por aquela distância incômoda entre a imagem que a gente projeta e a imagem que sente que é a sua de verdade.

Eu não entrego manual de como se vestir. Ajudo a ‘estilosa’ [forma como ela chama suas clientes] a ler a própria imagem a partir da sua história, de seu perfil comportamental e de seus objetivos (que são transitórios) com mais consciência e de forma muito respeitosa.

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[PD] Para começarmos pelo conceito:   quando falamos em   Estilo como  ferramenta  de Desenvolvimento  Pessoal ,  estamos  falando  apenas  de  aparência  e  vestimenta  ou  de  algo mais  amplo,  que  envolve  identidade,  comportamento,  comunicação  e autoconhecimento?

[GB] Tem substância, e bastante. A aparência é a camada mais visível, não a mais profunda. Estilo como desenvolvimento pessoal fala da relação entre identidade, comportamento, comunicação e contexto. A roupa é inserida porque é concreta: te obriga a decidir, todo santo dia o que veste, o que repete, o que abandona, o que permanece mesmo quando ninguém está olhando. Vestir-se pode ser um pequeno exercício diário de consciência, e como todo processo de desenvolvimento é repetitivo, e também por isso, poderoso.

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[PD] Pode- se afirmar que existe uma relação entre  autoconhecimento  e  construção  de estilo;  e,  também,  de  que  maneira  conhecer  nossas  características,  objetivos  e  valores pode influenciar  as escolhas  que fazemos  sobre nossa imagem?

[GB] Andam, com uma ressalva importante: entender que não precisa se conhecer por completo para começar a construir o próprio estilo. Os dois caminham juntos, no mesmo passo. Quanto mais reconheço minhas características, valores, rotina (importantíssima, e que tem em si, o poder de determinar muita coisa) e objetivos, mais criteriosas ficam minhas escolhas.

 Isso não quer dizer comprar só o que "combina com a personalidade", porque isso seria transformar o guarda-roupa em teste de personalidade com cabide, e cair de novo no antigo sintoma, mas entender o que faz sentido para vida que eu tenho e para vida que estou me direcionando para ter.

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[PD] Podemos considerar o estilo uma  forma  de  comunicação  não verbal   e o  que uma pessoa  pode  comunicar,  mesmo  sem  dizer  uma  única  palavra,  por  meio  de  sua  postura, aparência  e escolhas  visuais?

[GB] Sim, e de um jeito bem particular, mesmo quando a gente não está tentando comunicar nada. Roupa, postura, acessório, grau de formalidade, o modo de ocupar espaço, até aquilo que a gente decide não usar: tudo isso gera leitura. Mas é prudente ter cuidado com a ideia de que existe um “código universal da aparência.” Uma camisa branca- da qual sou grande incentivadora -não significa a mesma coisa para todo mundo, em toda cultura, em todo contexto.

A imagem comunica, mas a leitura dela também depende de quem está olhando. Por isso, é importante e até respeitoso pensar em “para quem” estou me vestindo.

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[PD] Pensando em   diversidade e inclusão, como  a  Gestão  Estratégica  de  Pessoas, pode  respeitar  diferentes  estilos,  culturas,  corpos,  idades  e  identidades  sem  transformar determinados  padrões de aparência  em critérios  de competência?

[GB] É possível, começando por separar duas coisas: adequação profissional e padronização estética. Uma empresa pode ter valores, códigos de apresentação e expectativas ligadas à função sem exigir que todo mundo pareça a mesma pessoa.
Elas têm corpos, idades, culturas e formas de expressão diferentes.

Gestão estratégica de verdade consegue definir o que é necessário para o exercício daquela função, sem ditar como alguém precisa parecer para ser de fato, levado a sério. Quando tudo vira uma régua de padrão, a gente perde diversidade que há na pluralidade de cada pessoa individualmente e, de quebra, perde inteligência organizacional.

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[PD] O chamado dress  code  das  organizações  ainda  deve  ser  entendido  como  uma regra  rígida  ou  pode  ser  utilizado  de  maneira  mais  estratégica,  considerando  cultura organizacional,  contexto,  função  e identidade  dos profissionais?

[GB] Oriento o uso do dress code como código que considera o contexto. Toda organização comunica algo através da própria cultura, e a roupa participa de modo atuante disso.

O problema começa quando o código para de servir ao contexto e passa a controlar a aparência das pessoas.

Sempre direciono para que façam a seguinte pergunta: "o que precisamos comunicar, e quais são os limites realmente necessários pra isso?" Quando colocando o dress code na dimensão de eventos privados, em que seremos convidados, é de muito bom tom e respeito para com o anfitrião seguir os elementos do dress code como um norteador, mas igualmente respeitoso preservar nossa identidade neles também.

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[PD] Qual é o papel da Gestão Estratégica de Pessoas na construção de ambientes nos quais  os  profissionais  possam  expressar  sua  individualidade  sem  comprometer  os valores,  a cultura  e os objetivos  da organização?

[GB] Criar condições para que as pessoas exerçam sua individualidade sem perder de vista que fazem parte de um sistema maior. É aí que gestão de pessoas vira estratégica de verdade. Não é proteger a individualidade a qualquer custo, nem exigir conformidade absoluta, mas construir acordos claros para uma finalidade que estará sempre no coletivo.

Uma organização saudável consegue deixar claro o que é importante para ela sem exigir que todos respondam da mesma forma.

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[PD] Quando uma empresa investe no  desenvolvimento  da  imagem  e  do  estilo profissional  de  seus  colaboradores,  quais  cuidados  são  necessários  para  que  isso  não  se transforme  em   padronização,  imposição  estética  ou tentativa  de “moldar”  pessoas?

[GB] Todo processo, bem executado, de desenvolvimento é desenhado por perguntas que capacitam as pessoas a se colocarem nos espaços certos.  Se a empresa se coloca solicitando em como deseja que seus funcionários devem “se parecer”, já existe um risco grande de padronização.

Quando o olhar está no que se deseja comunicar, nas habilidades a serem enxergadas por seu público, e sobretudo, em quais os comportamentos podem manter essa comunicação, se trabalha a consciência, contexto e o repertório. Dá pra orientar sem precisar controlar, desenvolver e conduzir ao moldar-se.

Tratar de imagem profissional sem transformar uma definição de beleza, juventude ou determinado outro desenho estético em sinônimo de competência. Essa distinção é diferencia tudo.

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[PD] No ambiente profissional, a primeira impressão, pode influenciar relações e oportunidades.  Até que ponto a imagem pessoal interfere na comunicação e  na construção  de credibilidade  profissional?

[GB] Interfere, sem meias palavras. Porque a Comunicação Humana não começa quando a gente abre a boca. Antes disso, as pessoas já estão lendo os nossos sinais de postura, cuidado, coerência com o contexto, presença, dentre outros... Sobretudo, existe uma diferença enorme entre reconhecer que a imagem influencia a percepção e acreditar que aparência determina competência. Não determina. Ninguém fica mais competente por estar bem vestido, e nenhuma pessoa vira incompetente por fugir de um padrão estético.

A imagem pode favorecer ou dificultar não somente uma primeira leitura, mas credibilidade se constrói na soma entre o que a gente comunica e o que a gente realmente entrega. Por isso gosto mais da palavra coerência a palavra impecabilidade (Segundo o Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa o significado é o estado ou condição do que é ou se mostra impecável).

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 [PAPO DIÁRIO: PD] A senhora poderia, por favor,  nos  deixar  uma  única  orientação  para  uma  pessoa  que  deseja  utilizar  o  estilo como ferramenta  de desenvolvimento  pessoal e crescimento  profissional,  qual seria?   

[GABRIELA BRITTO: GB] Gostaria de agradecer a oportunidade e preciso dizer que cheguei até aqui por um caminho menos comum: passei por gestão de equipes, processos, atendimento, desenvolvimento de pessoas, antes de atuar nessa frente.

 Compreendo o vestir como uma obrigação social, nunca vi a roupa “somente” como roupa, mas esse itinerário a compreender como uma das linguagens que temos para mostrar quem somos, o que valorizamos e, às vezes, o que ainda estamos tentando ser. Hoje eu trabalho o estilo como ferramenta de autoconhecimento e posicionamento; não para criar uma versão mais aceitável de alguém, porém para aproximar a imagem da vida de verdade que essa pessoa vive

Respondendo à pergunta: Eu diria: pare de tentar parecer e comece a se perceber!

Investimos muito tempo escolhendo o que vestir pensando no olhar do outro. O que vai me favorecer? O que vai parecer elegante? O que vão pensar de mim? Como é pregado por aí sobre como mulheres como eu deveria vestir? Sugiro fortemente o percurso inverso...Antes de construir uma imagem, construa intimidade com quem você é.

O estilo não deve ocupar o caminho de busca sem fim por aprovação, tendência ou adequação. Ele pode habitar num exercício cotidiano de liberdade, de perceber quem você é, reconhecer o contexto e diminuir a possível distância entre o que eu sou e o que quero colocar no mundo.

Primeiro a gente entende o que veste sem saber exatamente o porquê, depois, aprende a vestir por escolha confiante. Se assim fazemos, a moda como parte de uma elaboração progressiva da identidade, em que o estilo vai se construindo à medida que atravessamos diferentes momentos da vida.

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¹O Papo Diário, semanalmente, terá o intuito de esclarecer, trazendo de uma forma mais dinâmica, leve e descontraída, assuntos que sejam relacionados à Área da Saúde, com profissionais especializados, por meio do uso de perguntas e respostas, fazendo com que os nossos leitores fiquem mais conscientes sobre este tema. Participe/colabore: papodiario30@gmail.com.

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