Tradicional nas mesas e protagonista nas exportações do Vale do São Francisco, a manga tem conquistado um novo território: o paladar do consumidor brasileiro em versões cada vez mais criativas. De fruta in natura a ingrediente versátil na gastronomia, ela agora também impulsiona pequenos negócios e gera renda para quem enxergou seu potencial além do óbvio.
Em uma região onde a produção é abundante durante praticamente todo o ano, o desafio sempre foi equilibrar oferta e consumo interno. É nesse cenário que surgem iniciativas inovadoras, como a da empreendedora Claudia Sirlene de Oliveira, que há dois anos atua no setor com produtos artesanais derivados da manga.
Claudia conta que o envolvimento com a fruta veio de forma natural. “Tenho familiares que produzem manga, além de um irmão e amigos que já trabalham na área. Sempre estive próxima desse universo”, explica. A decisão de empreender surgiu ao perceber uma lacuna no mercado: a grande produção local contrastava com o baixo consumo da fruta in natura em determinados períodos.
“Vi que havia um potencial enorme na nossa região. A manga é abundante durante todo ano. Foi aí que decidi transformar essa realidade em oportunidade”, afirma a empresária.
Hoje, Claudia se dedica exclusivamente à produção de derivados da fruta por meio da marca Mais Manga, que une sabor, identidade regional e criatividade. Entre os produtos oferecidos estão cinco sabores de geleia, doce cremoso com coco (um dos mais procurados) suspiros, biscoitos, chips, chá de manga com maracujá e erva-doce, picles, caponata sertaneja com umburana, bombons e até granola gourmet de manga.
Segundo a empreendedora, as geleias e o doce cremoso com coco lideram as vendas. “São produtos que agradam facilmente e despertam curiosidade. Muitos clientes compram pela primeira vez e acabam voltando para experimentar outras opções”, relata.
O crescimento desse tipo de negócio reflete uma tendência maior: a valorização de produtos artesanais, sustentáveis e com identidade local. Ao agregar valor à fruta, iniciativas como a de Claudia ajudam a fortalecer toda a cadeia produtiva, beneficiando desde o agricultor até o consumidor final.
Além do aspecto econômico, há também uma forte conexão afetiva e cultural. Inspirada pelas memórias e pela vivência no campo, Claudia encontrou na manga não apenas uma fonte de renda, mas um propósito. “Cada produto carrega história, técnica e emoção. É uma forma de honrar quem vive da terra e mostrar que o Vale do São Francisco entrega muito mais que volume, entrega cultura e inovação”, destaca.
O movimento também abre portas para o protagonismo feminino no empreendedorismo rural e criativo. Claudia acredita que sua trajetória pode inspirar outras mulheres a recomeçarem e enxergarem oportunidades em suas próprias realidades. Inserido no coração do Vale do São Francisco, um dos maiores polos produtores de manga do país, esse tipo de iniciativa reforça a força da região não apenas na produção, mas também na transformação e valorização da fruta, ampliando mercados e consolidando novas possibilidades de renda.
Daniela Duarte/Jornalista
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