A dificuldade para doar sangue no Hemoba de Juazeiro tem gerado frustração entre voluntários que desejam ajudar, mas esbarram em barreiras que parecem contradizer a urgência constante por estoques seguros.
Na manhã da última sexta-feira, um doador procurou a unidade disposto a fazer sua parte. Aproveitou o feriado na cidade vizinha, onde trabalha, para realizar a doação com tranquilidade, mas recebeu do atendente a informação de que não havia mais vagas disponíveis e que o atendimento só retornaria na segunda-feira (9). Resultado: voltou para casa sem doar.
O episódio levanta questionamentos inevitáveis. Será que o estoque de sangue está tão alto a ponto de permitir a recusa de doadores voluntários? Se não está, e historicamente os hemocentros convivem com níveis críticos, por que não ampliar o atendimento para os fins de semana e feriados, justamente quando muitas pessoas têm disponibilidade?
Doar sangue já exige boa vontade, deslocamento e tempo. Quando o voluntário encontra portas fechadas ou limitação de vagas sem alternativa imediata, o desestímulo é inevitável. E cada desistência representa uma bolsa de sangue a menos para quem precisa de transfusão, cirurgias e tratamentos contínuos.
Facilitar o acesso deveria ser prioridade em um serviço essencial à saúde pública. Ampliar horários, abrir agendas extras e permitir encaixes de doadores espontâneos são medidas que aproximam a população da solidariedade, não o contrário.
Enquanto isso não acontece, histórias como essa continuam se repetindo: pessoas dispostas a salvar vidas impedidas por entraves operacionais. Em um sistema que depende da boa vontade da sociedade, dificultar a doação é um contrassenso que precisa ser revisto com urgência.
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