Alex Tanuri segue o roteiro de Isaac Carvalho? Crítica ao governo pode esconder mudança de lado


A recente cobrança pública do vereador Alex Tanuri ao governador Jerônimo Rodrigues acendeu um alerta no cenário político de Juazeiro. O discurso de insatisfação com obras não realizadas e promessas não cumpridas pode até encontrar eco na população, mas também levanta uma pergunta inevitável: até onde vai a cobrança e onde começa a movimentação política?

Tanuri, que construiu sua trajetória na política, agora adota um tom cada vez mais crítico ao próprio grupo político. E isso não é novidade na política local. O filme já foi visto antes, e tem nome e sobrenome: Isaac Carvalho.

Isaac, que por anos foi um dos principais nomes da esquerda em Juazeiro, recentemente rompeu com o campo progressista e declarou apoio a ACM Neto, adversário histórico do PT na Bahia. A mudança foi justificada com críticas à gestão estadual, num roteiro muito parecido com o que começa a ser ensaiado agora por Alex Tanuri.

A diferença é que, no caso de Isaac, o movimento veio acompanhado de um evidente desgaste político. Fora do centro das decisões e sem o mesmo capital de antes, ele acabou buscando uma nova rota para se manter relevante no jogo político. Foi, para muitos, uma mudança mais por sobrevivência do que por convicção.

E é exatamente aí que mora o debate: estaria Alex Tanuri caminhando pelo mesmo trajeto?

Ao intensificar críticas públicas ao governo do próprio partido, ao mesmo tempo em que defende a gestão municipal e adota um discurso de “independência”, o vereador começa a se posicionar em uma zona perigosa, aquela que costuma anteceder rompimentos maiores. Na política, raramente esse tipo de movimento é apenas “cobrança”. Muitas vezes, é o início de uma transição.

É claro que cobrar faz parte do papel de qualquer representante público. Mas quando a crítica ganha tom de distanciamento e passa a dialogar com setores oposicionistas, o gesto deixa de ser apenas institucional e passa a ser estratégico.

A população de Juazeiro quer respostas, obras e investimentos, isso é legítimo. Mas também merece transparência sobre os movimentos políticos de quem diz representá-la. Afinal, mudar de posição é um direito. O que não pode é fazer isso de forma disfarçada, enquanto ainda se sustenta um discurso de lealdade partidária.

Se a história recente serve de lição, o caminho trilhado por Isaac Carvalho mostra que essas mudanças nem sempre terminam bem. E agora, os olhos se voltam para Alex Tanuri, que começa a dar sinais de que pode estar entrando no mesmo barco.

Resta saber: é apenas cobrança… ou já é mudança de rumo?

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