O Carnaval do Rio de Janeiro foi marcado por polêmica e repercussão política após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou para a Marquês de Sapucaí um enredo com forte teor político e acabou sendo rebaixada.
A agremiação apresentou o samba-enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, exaltando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com alegorias e representações simbólicas de sua história política. O desfile também incluiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou debates e forte reação nas redes sociais e em setores da oposição.
Na apuração realizada nesta quarta-feira (18), a escola terminou na 12ª colocação, somando 264,6 pontos, resultado que levou ao rebaixamento para a Série Ouro em 2026. Antes mesmo do resultado oficial, a direção da escola afirmou, em nota pública, ter sido alvo de perseguição política ao longo do processo carnavalesco, alegando ataques, pressões e tentativas de interferência na autonomia artística do enredo e da letra do samba.
Entre as alegorias que mais repercutiram, esteve a representação crítica de Bolsonaro em cenários simbólicos ligados à pandemia da Covid-19, o que ampliou ainda mais a polarização em torno do desfile.
Apesar da repercussão e das discussões geradas, a escola também enfrentou questionamentos técnicos durante a apuração, incluindo apontamentos sobre irregularidades na dispersão, embora a penalidade não tenha resultado em perda de pontos.
O título do Carnaval ficou com a tradicional Viradouro, que alcançou 270 pontos e conquistou o campeonato.
Após a confirmação do rebaixamento, a Acadêmicos de Niterói publicou uma mensagem nas redes sociais agradecendo à comunidade e reforçando o posicionamento artístico da escola, destacando que “a arte não é para os covardes”, em tom de resistência e defesa do enredo apresentado na avenida.

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