Isaac Carvalho tenta se reposicionar no tabuleiro politico apoiando candidatura de ACM Neto


O anúncio do apoio do ex-prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho, à pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia escancara mais do que uma simples mudança de posicionamento político. O gesto evidencia o esvaziamento do capital político de Isaac na cidade e sua tentativa de permanecer relevante em um cenário no qual já não exerce a influência de outros tempos.

Historicamente ligado à esquerda baiana, com passagem pelo PCdoB e pelo PT, Isaac construiu sua trajetória ancorado no discurso progressista e no alinhamento com governos petistas. No entanto, nos últimos anos, foi gradativamente sendo deixado de lado pelo próprio campo político que ajudou a sustentar. Sem protagonismo nas decisões do partido e fora do centro das articulações da esquerda em Juazeiro e no estado, Isaac perdeu espaço, respaldo e capacidade de mobilização.

Na prática, o apoio a ACM Neto soa menos como convicção política e mais como um movimento de sobrevivência. Ao romper com o PT e criticar a gestão do governador Jerônimo Rodrigues, Isaac tenta se reposicionar no tabuleiro político para não desaparecer completamente do cenário eleitoral. Trata-se de uma guinada pragmática, que contrasta com o discurso histórico que o projetou.

Em Juazeiro, o ex-prefeito já não detém o mesmo peso político de outrora. Sua capacidade de influenciar eleições, mobilizar bases ou liderar projetos relevantes é hoje bastante limitada. O distanciamento do eleitorado, o desgaste acumulado e a ausência de mandato contribuíram para esse enfraquecimento. O apoio a ACM Neto, portanto, não representa uma adesão capaz de alterar significativamente o jogo político local ou estadual.

O episódio também revela a fragilidade de lideranças que, ao perderem respaldo popular e partidário, optam por mudar de lado na tentativa de se manterem visíveis. No caso de Isaac Carvalho, a mudança de campo político parece menos um gesto de renovação e mais uma estratégia para não sair definitivamente de cena, ainda que isso custe a coerência de sua trajetória.

No fim das contas, o movimento gera mais questionamentos do que adesões e reforça a percepção de que Isaac Carvalho, hoje, já não ocupa o papel de liderança central que um dia exerceu na política de Juazeiro.


Analise - Lailson Silva, Blog Vale em Foco

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